sábado, 31 de outubro de 2015

Visita técnica à misturadora de fertilizantes "Adubos Paranaíba"

Em visita à misturadora de fertilizantes "Adubos Paranaíba", no dia 06/10/2015 orientados pelo professor Luis Augusto da Silva Domingues, nós estudantes de Agronomia do IFTM tivemos a oportunidade de conhecer o processo de mistura de fertilizantes primários formulados com ou sem a adição de micronutrientes, e todo o processo de produção e venda à produtores ou à revendas credenciadas.
Para um melhor aprendizado foi passado um questionário que deveria ser respondido ao longo da visita, que está respondido a seguir:

 
Questionário da visita à misturadora “Adubos Paranaíba”

1- Qual a capacidade produtiva da empresa?Como está o negócio de fertilizantes no ano de 2015 e qual a perspectiva para os próximos anos?


De 70 a 80 mil toneladas, com previsão para 30 mil toneladas em 2015. A previsão para os próximos anos é de manter a produção de 2015 ou aumentar, mas não uma boa perspectiva devido a crise estabelecida no país.

2- A empresa pode produzir a formula NPK que desejar? Quantas fórmulas a empresa tem registrado no MAPA?

Sim, pode produzir desde que seja viável e possui cerca de 500 fórmulas registradas.

3- Quais os tipos de análises realizadas no laboratório da empresa? Qual a finalidade de tais analise.

São realizadas análises químicas e físicas com a finalidade de testar a garantia e evitar que ocorra reclamações.

4- Quais as matérias primas utilizadas para produção de fertilizantes mistos? Qual a origem delas?

Ureia, Sulfato de amônio, Kcl e P2O5 (Superfosfato simples e triplo). A matéria prima é oriunda da China, Canadá, Estados Unidos, China e Brasil.

5- Qual o enchimento usado pela empresa para fechar as formulas? Se não utilizam o que fazem para que isto seja possível.

Não utilizam enchimento e utilizam a própria matéria-prima para fechar as fórmulas.

6- Descreva todas as etapas da produção do Fertilizante 08-28-16.

Cada mineral é colocado na misturadora de forma separada de uma em uma tonelada até fechar as quantidades. Toda matéria prima é mistura sendo colocada em silos da própria misturadora para que esta feche a formulação em uma tonelada para ser expedida em sacas de 60kg e bags de uma tonelada.

7- Como é produzido o fertilizante revestido? Qual a base do polímero utilizado?

Mistura de aditivo e corante (para indicar o tratamento) ao fertilizante ou a formulação. Usam polímero em pó e atualmente usam o polímero líquido.

8- Descreva as condições de armazenamento da matéria prima.

O armazenamento é feito em silos, sacaria e bag de 1 tonelada.

9- Comente sobre as condições de segurança e meio ambiente da empresa.

O local de trabalho é bastante perigoso devido ao trânsito contínuo de máquinas, moderadamente organizado, mas que não possui grandes problemas com acidentes devido à empresa possuir regime de consultoria em segurança do trabalho, atendendo as normativas do Ministério do trabalho, bem como monitoramento durante toda a jornada de trabalho.

Fertilizantes nitrogenados de liberação controlada


    O nitrogênio é, depois do C, H e O é o elemento mais demandado pelas plantas. Parte da quantidade de N requerido pelas culturas pode ser suprida pelo solo, no entanto, em muitas situações o solo é incapaz de atender toda a demanda por N, tornando-se necessária a fertilização nitrogenada. É o nutriente mineral absorvido em maiores quantidades pela maioria das culturas. Sob boas condições, o NH4+ é rapidamente convertido em NO3- pelas bactérias do solo. Ambas as formas podem ser absorvidas e utilizadas pelas plantas.
Na agricultura, um dos grandes entraves é encontrar uma forma de minimizar as perdas desse nutriente, seja por lixiviação ou por volatilização, visando aumentar a eficiência da aplicação do N. 
Uma forma de minimizar essas perdas é usando fertilizantes de liberação controlada. Esses  fazem parte de um grupo maior de produtos denominados genericamente de fertilizantes de eficiência aprimorada. Vários produtos, antigos ou novos, estão sendo vistos com amplo interesse devido a modificações recentes no contexto agronômico e ambiental. Estes produtos possuem diferentes modos de ação, sendo os principais: inibidores ou de estabilização, compostos orgânicos sintéticos não revestidos mas de disponibilidade lenta, e fertilizantes solúveis revestidos. A seguir a Figura 14 demosntra como funcionam esses fertilizantes. 


  Inibidores ou de estabilização: São produtos que reduzem as perdas de N por retardarem a conversão das formas originais do fertilizante em formas que podem ser facilmente perdidas. O tempo de proteção varia de dias a semanas e o efeito se manifestará se houver condições reais para as perdas. Como exemplo, tem-se, entre outros, o Agrotain (NBPT), o N-serve (nitropirina) e o N-nitrosfere.

  Compostos orgânicos sintéticos não revestidos mas de disponibilidade lenta: Estes produtos protegem o N por adiarem sua disponibilidade através da necessidade de decomposição bioquímica dos compostos. A proteção é mais longa que a do primeiro grupo, variando de semanas a meses. A taxa de liberação do N irá depender da estrutura química, do peso e do grau de polimerização molecular, e ainda, das condições ambientais. A liberação é lenta mas não pode ser controlada. Como exemplos, tem-se, entre outros, a ureiaformaldeído, a metileno uréia e a diuréia isobutileno. São produtos utilizados atualmente em hortas.

  Fertilizantes solúveis revestidos: São produtos com N na forma tradicional, porém revestidos, o que propicia uma barreira física contra a exposição do nutriente. Enquadram-se basicamente em dois tipos de recobrimento, com enxofre ou com polímeros. No caso do recobrimento com enxofre a disponibilidade do nutriente ocorrerá através da destruição da cobertura, o que irá depender basicamente da espessura de recobrimento e das condições ambientais. Os polímeros utilizados são poliuretanos e poliolefinas, sendo que, neste caso, a liberação se dá através da difusão pela camada de cobertura, determinada pela característica química do polímero, da espessura, do processo de cobertura e da temperatura do meio. Os polímeros propiciam condições de controle e podem ser produzidos para sincronizar a liberação do N de acordo com as necessidades nutricionais das plantas ao longo do ciclo de cultivo. São exemplos: osmocote e ESN (uréia revestida).
 A Figura 16 demonstra um comparativo entre as perdas de N com o uso de uréia normal e uréia revestida.


A Figura 17 demonstra as diferentes produtividades de milho e recuperação de N com o uso de diferentes adubos.
 


Fontes consultadas: http://www.ipni.net/publication/ia-brasil.nsf/0/A7269B36407D8D6283257AA1005E5365/$FILE/Parte8-10-120.pdf
http://www.agrolink.com.br/fertilizantes/nutrientes_nitrogenio.aspx
http://www.ipni.net/ppiweb/pbrazil.nsf/1c678d0ba742019483256e19004af5b8/4b35b41b556a21a6032574e1006665c1/$FILE/Presentation%20Dr.%20Cantarella%20-%20N%20FERTBIO.pdf