sábado, 31 de outubro de 2015

Fertilizantes nitrogenados de liberação controlada


    O nitrogênio é, depois do C, H e O é o elemento mais demandado pelas plantas. Parte da quantidade de N requerido pelas culturas pode ser suprida pelo solo, no entanto, em muitas situações o solo é incapaz de atender toda a demanda por N, tornando-se necessária a fertilização nitrogenada. É o nutriente mineral absorvido em maiores quantidades pela maioria das culturas. Sob boas condições, o NH4+ é rapidamente convertido em NO3- pelas bactérias do solo. Ambas as formas podem ser absorvidas e utilizadas pelas plantas.
Na agricultura, um dos grandes entraves é encontrar uma forma de minimizar as perdas desse nutriente, seja por lixiviação ou por volatilização, visando aumentar a eficiência da aplicação do N. 
Uma forma de minimizar essas perdas é usando fertilizantes de liberação controlada. Esses  fazem parte de um grupo maior de produtos denominados genericamente de fertilizantes de eficiência aprimorada. Vários produtos, antigos ou novos, estão sendo vistos com amplo interesse devido a modificações recentes no contexto agronômico e ambiental. Estes produtos possuem diferentes modos de ação, sendo os principais: inibidores ou de estabilização, compostos orgânicos sintéticos não revestidos mas de disponibilidade lenta, e fertilizantes solúveis revestidos. A seguir a Figura 14 demosntra como funcionam esses fertilizantes. 


  Inibidores ou de estabilização: São produtos que reduzem as perdas de N por retardarem a conversão das formas originais do fertilizante em formas que podem ser facilmente perdidas. O tempo de proteção varia de dias a semanas e o efeito se manifestará se houver condições reais para as perdas. Como exemplo, tem-se, entre outros, o Agrotain (NBPT), o N-serve (nitropirina) e o N-nitrosfere.

  Compostos orgânicos sintéticos não revestidos mas de disponibilidade lenta: Estes produtos protegem o N por adiarem sua disponibilidade através da necessidade de decomposição bioquímica dos compostos. A proteção é mais longa que a do primeiro grupo, variando de semanas a meses. A taxa de liberação do N irá depender da estrutura química, do peso e do grau de polimerização molecular, e ainda, das condições ambientais. A liberação é lenta mas não pode ser controlada. Como exemplos, tem-se, entre outros, a ureiaformaldeído, a metileno uréia e a diuréia isobutileno. São produtos utilizados atualmente em hortas.

  Fertilizantes solúveis revestidos: São produtos com N na forma tradicional, porém revestidos, o que propicia uma barreira física contra a exposição do nutriente. Enquadram-se basicamente em dois tipos de recobrimento, com enxofre ou com polímeros. No caso do recobrimento com enxofre a disponibilidade do nutriente ocorrerá através da destruição da cobertura, o que irá depender basicamente da espessura de recobrimento e das condições ambientais. Os polímeros utilizados são poliuretanos e poliolefinas, sendo que, neste caso, a liberação se dá através da difusão pela camada de cobertura, determinada pela característica química do polímero, da espessura, do processo de cobertura e da temperatura do meio. Os polímeros propiciam condições de controle e podem ser produzidos para sincronizar a liberação do N de acordo com as necessidades nutricionais das plantas ao longo do ciclo de cultivo. São exemplos: osmocote e ESN (uréia revestida).
 A Figura 16 demonstra um comparativo entre as perdas de N com o uso de uréia normal e uréia revestida.


A Figura 17 demonstra as diferentes produtividades de milho e recuperação de N com o uso de diferentes adubos.
 


Fontes consultadas: http://www.ipni.net/publication/ia-brasil.nsf/0/A7269B36407D8D6283257AA1005E5365/$FILE/Parte8-10-120.pdf
http://www.agrolink.com.br/fertilizantes/nutrientes_nitrogenio.aspx
http://www.ipni.net/ppiweb/pbrazil.nsf/1c678d0ba742019483256e19004af5b8/4b35b41b556a21a6032574e1006665c1/$FILE/Presentation%20Dr.%20Cantarella%20-%20N%20FERTBIO.pdf

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